Ubiversidade- Introdução

Vim para a Universidade da Beira Interior (UBI) em 1991. Sete anos passaram. Ao longo destes anos escrevi aqui e ali, principalmente nos dois semanários regionais Notícias da Covilhã e Jornal do Fundão, pequenos textos sobre a universidade em geral e a UBI em particular. São esses textos que agora se encontram aqui coligidos.

A ideia de universidade subjacente, explícita ou implicitamente, a todos estes textos, dos mais extensos aos mais curtos, é a de uma comunidade de docentes e alunos animados pelo espírito de investigação e de transmissão de conhecimentos. Digo bem, é a ideia de uma comunidade, no sentido original da universidade como corporação medieva. Não são, aliás nunca foram, os edifícios, os laboratórios, as aulas, mesmo as bibliotecas, que fazem uma universidade, mas sim o corpo de professores e estudantes.

A formação universitária é em grande medida feita por osmose, pela vivência no dia a dia de tudo o que constitui a universidade enquanto comunidade. As discussões no café e nas tascas, os concertos, os teatros, as conferências, a vida associativa, os namoros, tudo isso é parte integrante da vida académica. Não se pode e não se deve conceber a universidade como o lugar onde se tira um curso ou se aprende uma profissão. Isso seria reduzir a universidade à expressão pobre de uma mera fábrica de técnicos e de canudos.

A UBI é ainda uma muito jovem universidade. Faltam-lhe anos e um nome feito na ciência e na formação académica. Como os anos não se compram, resta-lhe crescer paulatinamente, sem saltos nem sobressaltos. Erros graves na sua evolução já os houve, nomeadamente a incapacidade de, em tempo oportuno, ter criado um Centro Integrado de Formação de Professores (CIFOP) a partir da Escola do Magistério do Fundão. Mas apesar das dificuldades, como a interioridade sem estradas e uma região em despovoamento, a UBI tem vindo a robustecer-se graças ao esforço notável de docentes e alunos. Hoje o leque das áreas científicas em que se investiga e ensina na UBI tem claramente dimensão universitária.

Como pequena universidade, inserida numa cidade do interior, há na UBI uma personalização das relações entre professores e alunos que muito a dignifica e prestigia. Muito mais facilmente do que nas universidades do litoral, um estudante pode dirigir-se a um professor, dentro e fora da universidade, pedir-lhe um esclarecimento e fazer-lhe uma pergunta. A Covilhã possibilita uma convivência entre universitários impossível num grande centro urbano.

Uma universidade não nasce feita, faz-se. Considero uma graça de Deus poder participar na construção da Universidade da Beira Interior.