A imagem da
Universidade, as pessoas e os números
António Fidalgo
Notícias da Covilhã, 5 de Abril de 1996
Em vez de corrigir duas ou três
afirmações (do género "Governo PS é melhor para a UBI") que me são
atribuídas na entrevista publicada em discurso indirecto pelo Notícias da Covilhã na última semana,
penso que o melhor será expor directamente a minha opinião sobre alguns dos
temas aí abordados.
A
Universidade e o reitorado de Passos Morgado.
Não conheço ninguém que, ao visitar a UBI
pela primeira vez, não tenha ficado visivelmente surpreendido e positivamente
impressionado. A surpresa, porém, não se prende só com a parte física dos
edifícios, com a magnífica recuperação do património fabril da Covilhã, com a
excelente qualidade das salas de aula, dos laboratórios, e dos gabinetes dos
docentes; essa surpresa é também motivada pelo extraordinário apetrechamento
laboratorial e informático de que a UBI dispõe e, bem assim, pela qualidade de
ensino e investigação conseguida com a utilização desses meios. E a surpresa é
tão grande para os visitantes provindos de Lisboa e do Litoral como para os
visitantes da própria Beira Interior.
Os responsáveis da UBI têm a consciência
de que é urgente melhorar a imagem da UBI, mas a melhor forma de o fazer é
claramente mostrar o que a UBI já é. Ora o que a UBI já é deve-se em muitíssimo
ao esforço do anterior Reitor Passos Morgado. Se não fosse a realidade de que
Passos Morgado foi o principal responsável, não poderíamos hoje promover a
imagem da UBI com a simples abertura da universidade a todos os que a desejam
conhecer.
Dizer sem mais que a anterior equipa
reitoral se preocupava com os números e a actual se preocupa com as pessoas é
não só simplista, como também enviesado. Em primeiro lugar, convém dizer que
todos os membros da actual equipa reitoral faziam parte da anterior, isto é, da
equipa de Passos Morgado. Pessoalmente quero aqui afirmar que considero uma
grande honra ter sido Vice-Reitor do Reitor Passos Morgado. Em segundo lugar, a
aposta nas pessoas só tem consistência se houver as condições – os tais
números! – para que essa aposta possa vingar. É claro que é preciso investir
nas pessoas da UBI, isso é ponto assente, mas esse investimento seria em vão,
caso não houvessem os metros quadrados de laboratórios e gabinetes para as
pessoas trabalharem. Não se pode pôr a carroça à frente dos bois.
Ao contrário de alguns que hoje falam
muito em pessoas e depois esquecem as condições para essas pessoas, Passos
Morgado, sem falar muito em pessoas, tudo fez para que não faltassem às pessoas
as melhores condições de trabalho.
A
Universidade e os partidos políticos
Uma das vantagens da UBI é que nunca foi
dilacerada por questões de ordem político-partidária. Que eu saiba, nunca ali
se perguntou a cor partidária de quem quer que fosse, nem isso foi alguma vez
critério de selecção ou promoção.
A Universidade nada tem a ver, nem pode
ter, com a questão de se o governo é do PSD ou do PS. Em questões
governamentais, a Universidade só tem a ver com o governo português.
É sabido que a criação do Instituto
Universitário da Beira Interior em 11 de Setembro de 1979, pela Lei 44/79 da
Assembleia da República, não teve o voto favorável do PS e que a passagem do
IUBI à UBI, bem assim como o grande investimento governamental (cerca de 80 por
cento) na UBI ocorreram durante os governos do PSD, liderados por Aníbal Cavaco
Silva. Não significa isto, porém, que a UBI deva ser conotada com qualquer
força partidária. Nestas coisas é necessário sentido de Estado e, por
conseguinte, não partidarizar o que não deve ser partidarizado.
Os governos do PSD tiveram, sem qualquer
sombra de dúvida, um papel de primeiríssima ordem no desenvolvimento da UBI.
Fazer melhor ser difícil, se não mesmo impossível, mas nada faz prever
que o actual governo do PS, liderado por um beirão do Interior, esteja menos
interessado do que os governos anteriores do PSD no desenvolvimento da UBI. São
justamente os testemunhos já dados pela actual força política governativa que
me levam a pensar que "haverá a melhor colaboração do actual governo com a
UBI".