(Artigo publicado no Jornal do Fundão em 21
de Janeiro de 1998)
Os dias 3, 4 e 5 de
Fevereiro de 1998 vão ser dias abertos na Universidade da Beira Interior.
Abertos a toda a população em geral e aos estudantes dos ensinos básico e
secundário em particular. Toda a gente da região é convidada a visitar a
universidade, a ir por ela adentro, a ver salas de aula, bibliotecas,
laboratórios e gabinetes, a assistir a aulas e a experiências, a conversar com
professores, alunos e funcionários, a pedir informações, a fazer perguntas, e
depois a dizer o que achou.
Nada de melhor que ver com
os próprios olhos. É esse, aliás, o espírito universitário. Para conhecer é
preciso ir directamente às coisas, meter as mãos na massa, fazer com as
próprias mãos. Exactamente o oposto do mexerico, do diz-se que diz-se, sem saber
bem como, porquê e para quê. Na ciência não há senhores e criados, não se
manda, vai-se. Por isso, a universidade, como lugar de ciência, só pode dizer
às pessoas para entrarem e verem com os próprios olhos o que ela é.
Ideias feitas é o que há de
mais avesso ao espírito universitário. Pessoas que não precisam de ir porque já
sabem e que não perguntam porque já têm resposta pronta para tudo não têm lugar
na universidade. Ciência é apenas uma outra palavra para dizer saber, e que há‑de
aprender e investigar uma pessoa que já sabe tudo? É por essa razão que a
Universidade da Beira Interior convida todos os que a não conhecem a virem por
si, com a própria cabeça, verem como é, que faz e como faz.
Só se gosta daquilo que se
conhece e a UBI quer ser conhecida. Conhecida tal como é, nem mais, nem menos.
Em tempos em o que interessa é a imagem, em o que conta são as aparências, em
que a publicidade comanda a vida, paga-se por parecer mais do que realmente se
é, por parecer muito o que é pouco. Tempos de aparências, é certo, mas também
de poucos amores. Ora a UBI não quer vender uma imagem de si, não quer que a
conheçam por publicidade paga, não se quer esconder atrás de uma campanha de
marketing, quer pura e simplesmente abrir as portas, mostrar-se tal como é. Os dias
abertos da UBI são para que todos possam conhecê-la como é, para que possam ver
a realidade e não uma imagem ou ilusão.
É uma ideia feita a ideia de
que a galinha da vizinha é melhor do que a minha, que aquilo que os outros têm
é sempre superior ao que nós temos. É uma ideia muito espalhada aqui pela
região. Infelizmente. Há quem tenha a mania de considerar inferior tudo o que é
do interior. Injustamente. Para os que sofrem dessa mania é bom que aproveitem
os dias da UBI e abram o espírito. Irão certamente ficar admirados com o que os
seus olhos irão ver. Nada melhor para eliminar complexos e limpar teias de
aranha mentais que participar numa aula, visitar um laboratório e presenciar
uma experiência científica. É preciso que as pessoas confiem nos próprios
olhos. Nada pior que os que não querem ou não se atrevem a ver.