Os dias abertos

António Fidalgo

 

(Artigo publicado no Jornal do Fundão em 21 de Janeiro de 1998)

 

Os dias 3, 4 e 5 de Fevereiro de 1998 vão ser dias abertos na Universidade da Beira Interior. Abertos a toda a população em geral e aos estudantes dos ensinos básico e secundário em particular. Toda a gente da região é convidada a visitar a universidade, a ir por ela adentro, a ver salas de aula, bibliotecas, laboratórios e gabinetes, a assistir a aulas e a experiências, a conversar com professores, alunos e funcionários, a pedir informações, a fazer perguntas, e depois a dizer o que achou.

Nada de melhor que ver com os próprios olhos. É esse, aliás, o espírito universitário. Para conhecer é preciso ir directamente às coisas, meter as mãos na massa, fazer com as próprias mãos. Exactamente o oposto do mexerico, do diz-se que diz-se, sem saber bem como, porquê e para quê. Na ciência não há senhores e criados, não se manda, vai-se. Por isso, a universidade, como lugar de ciência, só pode dizer às pessoas para entrarem e verem com os próprios olhos o que ela é.

Ideias feitas é o que há de mais avesso ao espírito universitário. Pessoas que não precisam de ir porque já sabem e que não perguntam porque já têm resposta pronta para tudo não têm lugar na universidade. Ciência é apenas uma outra palavra para dizer saber, e que há‑de aprender e investigar uma pessoa que já sabe tudo? É por essa razão que a Universidade da Beira Interior convida todos os que a não conhecem a virem por si, com a própria cabeça, verem como é, que faz e como faz.

Só se gosta daquilo que se conhece e a UBI quer ser conhecida. Conhecida tal como é, nem mais, nem menos. Em tempos em o que interessa é a imagem, em o que conta são as aparências, em que a publicidade comanda a vida, paga-se por parecer mais do que realmente se é, por parecer muito o que é pouco. Tempos de aparências, é certo, mas também de poucos amores. Ora a UBI não quer vender uma imagem de si, não quer que a conheçam por publicidade paga, não se quer esconder atrás de uma campanha de marketing, quer pura e simplesmente abrir as portas, mostrar-se tal como é. Os dias abertos da UBI são para que todos possam conhecê-la como é, para que possam ver a realidade e não uma imagem ou ilusão.

É uma ideia feita a ideia de que a galinha da vizinha é melhor do que a minha, que aquilo que os outros têm é sempre superior ao que nós temos. É uma ideia muito espalhada aqui pela região. Infelizmente. Há quem tenha a mania de considerar inferior tudo o que é do interior. Injustamente. Para os que sofrem dessa mania é bom que aproveitem os dias da UBI e abram o espírito. Irão certamente ficar admirados com o que os seus olhos irão ver. Nada melhor para eliminar complexos e limpar teias de aranha mentais que participar numa aula, visitar um laboratório e presenciar uma experiência científica. É preciso que as pessoas confiem nos próprios olhos. Nada pior que os que não querem ou não se atrevem a ver.