Os anos da UBI

António Fidalgo

 

(artigo publicado no Notícias da Covilhã  em 30 de Abril de 1993)

 

          A UBI faz anos. Sete. É ainda uma criança. Desejemos-lhe, pois, e em primeiro lugar, muitos anos de vida. Ao menos tantos como os que conta a avózinha Universidade de Coimbra que já vai nos setecentos. É que para crescer e aparecer são precisos anos, muitos anos. Os edifícios e os laboratórios ainda se fazem de um ano para o outro, mas o que é mais importante, as pessoas, as correntes de pensamento e de investigação, os hábitos e as tradições, levam vidas e gerações a formar. Uma universidade não se faz sem tempo e a UBI está agora a começar. Não há voluntarismos que substituam os anos e aquilo que os anos trazem. Sirva aqui de exemplo uma biblioteca univcersitária. Milhões de contos para a aquisição de livros não são alternativa a um espólio bibliográfico acumulado ao longo de gerações de estudiosos e investigadores, e que constitui um elemento essencial da história e da identidade de uma universidade. Quem conhece universidades centenares - e centénios serão a medida de tempo mais adequada a uma universidade -, sabe bem que o espírito da casa está em boa parte na sua história de séculos, nos nomes de antigos mestres e alunos, nas tradições que ficaram, nas virtudes e nos defeitos das gerações anteriores. Desejemos, pois, muitos anos à UBI.

          Mas com sete anos a criança já vai à escola. Os dias deixam de ser vividos ao sabor dos impulsos próprios da infância. O dia a dia passa a ser regulado por horas de entrada e saída, regrado por normas de comportamento e avaliado em função de conteúdos de aprendizagem. Também para a UBI, que agora conta milhares de alunos e centenas de docentes, é a altura de se dotar de regulamentos de funcionamento e de entrar, assim, num novo período do seu crescimento. Para que, parafraseando o Evangelho de S.Lucas, a criança cresça em tamanho, em saber e em graça.