Os anos da UBI
(artigo publicado no Notícias da Covilhã em 30 de Abril de 1993)
A UBI faz
anos. Sete. É ainda uma criança. Desejemos-lhe, pois, e em primeiro lugar,
muitos anos de vida. Ao menos tantos como os que conta a avózinha Universidade
de Coimbra que já vai nos setecentos. É que para crescer e aparecer são
precisos anos, muitos anos. Os edifícios e os laboratórios ainda se fazem de um
ano para o outro, mas o que é mais importante, as pessoas, as correntes de
pensamento e de investigação, os hábitos e as tradições, levam vidas e gerações
a formar. Uma universidade não se faz sem tempo e a UBI está agora a começar. Não
há voluntarismos que substituam os anos e aquilo que os anos trazem. Sirva aqui
de exemplo uma biblioteca univcersitária. Milhões de contos para a aquisição de
livros não são alternativa a um espólio bibliográfico acumulado ao longo de
gerações de estudiosos e investigadores, e que constitui um elemento essencial
da história e da identidade de uma universidade. Quem conhece universidades
centenares - e centénios serão a medida de tempo mais adequada a uma
universidade -, sabe bem que o espírito da casa está em boa parte na sua
história de séculos, nos nomes de antigos mestres e alunos, nas tradições que
ficaram, nas virtudes e nos defeitos das gerações anteriores. Desejemos, pois,
muitos anos à UBI.
Mas com
sete anos a criança já vai à escola. Os dias deixam de ser vividos ao sabor dos
impulsos próprios da infância. O dia a dia passa a ser regulado por horas de
entrada e saída, regrado por normas de comportamento e avaliado em função de
conteúdos de aprendizagem. Também para a UBI, que agora conta milhares de
alunos e centenas de docentes, é a altura de se dotar de regulamentos de
funcionamento e de entrar, assim, num novo período do seu crescimento. Para
que, parafraseando o Evangelho de S.Lucas, a criança cresça em tamanho, em
saber e em graça.