Caloiros

(artigo publicado no Notícias da Covilhã  em Outubro de 1992)

 

Chegaram os novos estudantes, os caloiros. Entraram na Universidade e isso, nos tempos que correm, já é motivo de alegria. Encontram-se, enfim, com expectativas e ilusões, no mundo do saber e da investigação científica.

Chegaram, mas, pelo menos, para a maioria, não foi só à UBI que chegaram, mas também à cidade. Agora há que arranjar alojamento, conhecer ruas, integrar-se numa cidade que, por esta altura, se torna fria. Abandonaram o aconchego da família e agora aí estão entregues a si mesmos.

Na Covilhã irão passar, em princípio, cinco anos. Os melhores anos da vida? Serão os anos dos amores, das serenatas, das noites mal dormidas, das directas, das amizades para a vida, mas se vão ou não ser os melhores anos da vida depende também da cidade que os recebe. Ser  que a Covilhã também ir  ter mais encantos na hora da despedida?

A vida de um estudante não se reduz às aulas e aos exames. A vida universitária é muito mais que a universidade. Passa pelas actividades desportivas e culturais, pela vivência que fazem da cidade no dia a dia. Mais tarde lembrar-se-ão do Pelourinho como da Parada, das ruelas estreitas e íngremes da Covilhã como das salas de aula da UBI, dos taberneiros e comerciantes como dos professores.

Dos estudantes que chegaram há-os que não vieram por opção, mas sim por colocação ministerial, e que lamentam terem sido desterrados para o Interior. A UBI e a Covilhã farão bem em cativar também esses. Cativá-los com a qualidade de ensino e com a qualidade de vida. Para que se sintam bem e não estudem e vivam aqui apenas à espera de transferência para a universidade de uma qualquer outra zona do país.

A Covilhã é hoje uma cidade de facto universitária. Mas sê-lo-á  por vocação? A resposta será  dada pela gente da Covilhã e pelas suas instituições. Por enquanto a Ribeira Degoldra, que passa pela Universidade, vai turva. Ser  difícil aos estudantes cantá-la, como os estudantes de Coimbra ao Mondego.